quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Respeito por Bezerra de Menezes na sua terra natal



 
 
Antônio Alfredo de Sousa Monteiro, dirigente de instituição em Fortaleza e das obras de Jaguaretama, comenta sobre o Polo de Divulgação Espírita Bezerra de Menezes, na cidade natal do Benfeitor espiritual

Reformador: Como surgiu a ideia de atuarem no local de nascimento de Bezerra de Menezes?

Monteiro: A ideia surgiu quando o saudoso companheiro de ideal espírita, Benvindo Melo, então presidente da Federação Espírita do Estado do Ceará (FEEC), convidou-nos para uma visita ao local onde nasceu Bezerra de Menezes, a 29 de agosto de 1831, na Zona Rural do município de Jaguaretama, ex-Riacho do Sangue, a 260 quilômetros de distância de Fortaleza. É uma região de caatinga no Sertão do Jaguaribe, situada a 10 quilômetros da sede municipal.
Lá encontramos um marco de concreto erigido pela extinta Capemi, junto ao qual decidimos construir um museu sobre os supostos alicerces que ainda existiam da casa onde nasceu Bezerra de Menezes.Tudo era seco, uma paisagem inóspita, sem casas por perto, sem gente, sem energia elétrica. Construído sob a melhor das inspirações,o museu foi inaugurado no mesmo ano pela FEEC que, na ocasião, lançou o Projeto PODEBEM – Polo de Divulgação Espírita Bezerra de Menezes. A ideia era irradiar, a partir dali, um processo de evangelização que terminou envolvendo sobretudo as populações de assentados – comunidades de trabalhadores rurais –, que se agruparam na área, atraídas pelos projetos agrários do INCRA1 apoiado pelo DNOCS.1 Hoje, o Polo, como se tornou conhecido, estende suas atividades de evangelização e assistência social às agrovilas desses assentados, atuando também na educação das comunidades em colaboração com a administração municipal, tendo começado por uma escola de ensino fundamental, que atende a 300 alunos, filhos de trabalhadores rurais e de assentados da área de nove agrovilas.

Reformador: No que consiste o projeto que vêm implementando?

Monteiro: O Projeto tem como escopo a divulgação da Doutrina Espírita, dentro da proposta do Espírito de Verdade, que coloca o amor e a instrução como as asas que conduzem o Espírito imortal ao aperfeiçoamento.

O Espiritismo, pelo seu caráter cristão e pela mensagem de esclarecimento e consolação, teve uma aceitação além das expectativas de parte dos assentados sequiosos de respostas para as lutas e desafios que enfrentam numa região carente de tudo. Como era natural, a totalidade das comunidades não conhecia a Doutrina.
O primeiro passo foi implantar a evangelização infantil, que começou na Vila Santa Bárbara, constituída de terras da antiga Fazenda Santa Bárbara, onde nasceu Bezerra. E aos poucos, com uma assídua presença dos espíritas de Fortaleza e procedentes de outras regiões do Estado, fomos adentrando em outras vilas mais distantes. A grande dificuldade inicial foi a carência de evangelizadores que eram recrutados a partir da capital. De início, foi muito difícil devido aos obstáculos, às limitações, aos desafios, já que tudo praticamente dependia de Fortaleza.
Foi preciso muito investimento em cursos permanentes para a formação de evangelizadores locais, ou seja, para o envolvimento das comunidades.
Após três anos de exaustivo trabalho, a primeira vila tornou-se autossuficiente na evangelização.

Através das crianças da Escola de Evangelização, os pais foram atraídos e o trabalho foi crescendo lentamente.
Poucos acreditavam na validade do Projeto. Era preciso vencer a inércia física e espiritual. Hoje, a partir do Polo, já foram criados cinco centros espíritas nas diversas agrovilas.
Paralelamente aos trabalhos espirituais, investimos nas áreas ecológica e de meio ambiente, em cursos profissionalizantes, música, teatro, folclore. Como vemos, foi um trabalho de bandeirantismo – da Capital para o Interior.

Reformador: Há alguma preservação da memória de Bezerra?

Monteiro: Não há ainda muita coisa nesse sentido porque esses são resultados que iremos colhendo, certamente, junto com o projeto de educação, de motivação e conscientização da comunidade sobre suas origens, seus ancestrais, sua saga e toda a sua história. Aí vão surgindo a pesquisa, a busca de informações, a incursão no passado da região e o interesse pelos elementos culturais que marcaram sua caminhada. No museu exibimos os principais documentos sobre a vida de Bezerra de Menezes, incluindo fotografias com as respectivas molduras e as explicações correspondentes. Da mesma forma, foi reconstruída toda a história do Polo, desde 1997 até hoje. Sempre na semana comemorativa do nascimento de Bezerra de Menezes, a escola fundamental do Polo elabora o evento com intensa programação e atividades, exaltando o exemplo de vida do grande Apóstolo do Espiritismo, como homem simples do Interior, médico humano, político respeitável, espírita que exemplificou e vivenciou a Doutrina como verdadeiro homem de bem.

Reformador:
 E a ação social na região?

Monteiro: O Polo mantém cursos profissionalizantes em convênio com a Secretaria de Ação Social do Estado, voltados não só para o homem do campo, para fixá-lo à gleba produtora em condições dignas, mas também aos jovens filhos dos assentados, vítimas do êxodo em busca de outras alternativas de sobrevivência e crescimento, nem sempre bem-sucedidas.
Ministra também os próprios cursos de captação, profissionalização e outros cursos informativos nas áreas médica, odontológica, social e educativa.
Nas áreas ecológica e de meio ambiente, faz um trabalho permanente de educação com crianças, jovens e adultos, procurando despertá-los para o amor, respeito e zelo pela Natureza. Aí se incluem a mudança de costumes nocivos ao meio ambiente, introdução de novos hábitos, como a coleta do lixo doméstico, passando pelo respeito aos animais e à Natureza como um todo. Em convênio com a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – o Polo colabora na gestão de recursos hídricos, com vistas à melhoria da qualidade de vida dos assentados, especificamente na microbacia do Riacho do Sangue, onde estão localizadas as diversas vilas de assentamento.
Trata-se do Programa Vigilantes da Água, que segue o modelo do programa Global Water Watch. E dentro de sua programação para defesa e preservação dos valores da cultura e do folclore locais, o Polo tem seu Espaço Cultural, que se dedica à divulgação e prática das artes em geral, esforçando-se para trabalhar, educar e despertar valores, através da música, teatro e dança, em crianças e jovens até dezoito anos.
O Polo proporciona na região a presença periódica de médicos de várias especialidades que prestam trabalhos em grupos, como voluntários,dando consultas e medicamentos gratuitos.
Distribui, anualmente, cerca de 900 cestas básicas para as famílias carentes do local, jamais fazendo um trabalho de assistencialismo, mas buscando despertar as consciências sobre o dever da solidariedade. E procura fixar essa visão por meio de cursos, palestras, momentos de arte, escola e reforço escolar, cuidando do homem,mudando o seu comportamento, dando-lhe um novo rumo que não seja o da ignorância e dependência.
Tanto assim é, que não há conflitos de terra nas comunidades participantes do Projeto do Polo.

Reformador: As ideias e a ação espírita são bem compreendidas na região?

Monteiro: O povo é simples, bom, amigo.Vive da agricultura de subsistência numa terra seca de baixa produtividade, onde a precipitação pluviométrica não chega a 700 milímetros ao ano. É um semiárido que pouca coisa oferece ao agricultor. A água é escassa e o solo cristalino, povoado de cactos, juazeiros, jucazeiros, paus-ferro, catingueiras e outras plantas xerófilas próprias da Região. Para se ter uma ideia, é a parte do Ceará onde corria, até antes das barragens,dos rios Orós e Castanhão, construídas para combater a aridez, o maior rio seco do mundo – o Jaguaribe, com 610 quilômetros de curso.Hoje tem irrigação. E as pessoas demonstram um grande poder de fé, pois mesmo nos períodos mais críticos, ninguém se revolta nem se queixa da vida. Têm muita fé em Deus, a seu modo e, com certeza, tudo isso favorece à aceitação da Doutrina Consoladora no seu modo simples de esclarecer e consolar.Aceitam o mundo espiritual, a reencarnação, a comunicação com os Espíritos, a lei de causa e efeito, como se já fossem iniciados no conhecimento espírita.

Reformador: Há alguma publicação ou produção digital sobre o trabalho?

Monteiro: Partindo propriamente do Polo nada há além dos folhetos, convites e programas relacionados com as atividades das comunidades, sobretudo no período destinado às comemorações do nascimento de Bezerra de Menezes. Nessa ocasião, multiplicam-se as caravanas procedentes de todo o Estado do Ceará e de outros recantos do País, atraídas pelas atividades e informações sobre o ambiente onde nasceu o Médico dos Pobres. Tem um dado, aliás, interessante a observar nessas caravanas que diferem do que se denominam romarias, na linguagem de outras religiões. Antes chegavam com a expectativa de se beneficiarem pelas vibrações do Polo. Hoje vêm com o fim de prestar serviço, unirem-se aos outros em grupos de voluntários para os diversos campos da assistência espiritual, social e cultural. Há ideia de produção digital e publicações a respeito, as quais, por enquanto, são mais aquelas dos livros, revistas, artigos e comentários sobre as passagens mais marcantes de Bezerra de Menezes.

Reformador: Como, atualmente, vê a repercussão do exemplo de vida de Bezerra?

Monteiro: Hoje em dia, com a profunda penetração da fé espírita em todas as classes e com os amplos e modernos recursos das comunicações, sobretudo da Internet, a figura de Bezerra de Menezes está entre as mais conhecidas e cultuadas pelo exemplo das suas virtudes. Aqui no Nordeste, principalmente no Ceará do padre Cícero Romão Batista, tido como o grande taumaturgo dos católicos, o respeito espiritual ao nome do Dr. Bezerra está nas mais diferentes crenças. E a partir do Polo pode-se avaliar o alcance da sua mensagem e do seu exemplo de vida na motivação das caravanas, que aportam à região cheias de admiração e confiança na luminosidade desse grande Espírito.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

O Maior Brasileiro de Todos os Tempos: Chico Xavier entre os finalistas


Chico Xavier está entre os 12 finalistas do concurso O Maior Brasileiro de Todos os Tempos, promovido pelo SBT. Diversos países já apontaram os seus maiores representantes. Na Inglaterra, Winston Churchill. Na Itália, Leonardo da Vinci. Nelson Mandela na África do Sul. E agora, no Brasil, 12 nomes se destacam no programa, entre eles o do médium mineiro. A votação segue por 13 semanas, sendo o voto do público que decide quem continua na disputa. Para deixar o seu voto acesse: www.sbt.com.br/omaiorbrasileiro/
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3ª Semana de Cultura Espírita

Espiritismo aliado à cultura. É o que promove a 3ª Semana de Cultura Espírita do Amapá, de 4 a 9 de agosto de 2012. Com transmissão pela TVCEI tem como tema “Terra, planeta em transição: uma abordagem sobre a família, a sociedade, a ecologia e o ser a caminho de um Mundo de Regeneração”.  Na programação principal haverá a presença dos palestrantes Alberto Almeida, Jorge Elarrat, Antonio Cesar Perri, presidente interino da FEB e Alírio de Cerqueira. A programação contará ainda com seminários e mesa- redonda. Mais informações no sitewww.feamapa.com.br ou no telefone (96) 32241730.

Filme: E a Vida Continua...


E a Vida Continua...

Ayrton Paiva
André Luiz é o pseudônimo do médico que viveu no Rio de Janeiro e que, após sua desencarnação, passa  por um período de adaptação, até tornar-se cidadão da Colônia Espiritual “Nosso Lar”.

Atendendo às características da sua personalidade, logo se integra no estudo e em ações teórico-práticas
na nova dimensão de vida em que se encontra. Transforma seus estudos e trabalhos em emocionantes e esclarecedoras reportagens, que se consubstanciam em livros, captados pela admirável mediunidade de Francisco Cândido Xavier.
Inicia esses relatos na instigadora obra Nosso Lar e prossegue em muitas outras.
No livro E a Vida Continua..., André Luiz descreve suas observações, estudos e trabalhos na Espiritualidade.
Ao apresentá-lo, Emmanuel assim se expressa: Conquanto as personagens da história aqui relacionadas   todas elas figuras autênticas, cujos nomes foram naturalmente modificados para não ferir corações amigos na Terra – tenham tido, como já dissemos, experiências muito diversas daquelas que caracterizam as trilhas do próprio André Luiz, em seus primeiros tempos na Espiritualidade, é justo considerar que os graus de conhecimento e responsabilidade variam ao infinito.

Evelina Serpa e Ernesto Fantini encontram-se numa estância de águas medicinais, em Poços de Caldas e, por aparente acaso, ficam sabendo que estão com a mesma doença renal e que, em breve, deverão submeter-se a delicada e perigosa cirurgia. Aos poucos, do diálogo sobre a doença, diagnóstico e terminologia científica da enfermidade, a troca de informações e o partilhamento de ideias e dores vai unindo cada vez mais, sob o aspecto espiritual, aquelas duas almas que não haviam encontrado parceiros afins com seus sentimentos e emoções.
“A mirada recíproca lhes fazia observar que haviam caminhado, a passos compridos, para a intimidade profunda.
Onde vira antes aquela jovem senhora que a beleza e o raciocínio tanto favoreciam? – pensava Ernesto, atordoado.

Em que lugar teria encontrado alguma vez aquele cavalheiro maduro e inteligente que tão bem conjugava simpatia e compreensão?
– ‘refletia a senhora Serpa, incapaz de esconder o agradável assombro que a dominava’.” (Op.cit., p. 22 e 23.)
Chega o momento da partida e ambos já com o destino marcado para a cirurgia.
“[...] – Bem senhor Fantini, se houver outra vida, além desta, e se for a vontade de Deus que venhamos a sofrer, em breve, a grande mudança, creio que nos veremos de novo e seremos lá bons amigos... [...].” (Op. cit., p. 29.)

Mentalmente “procuremos enxergar” o reencontro.
“Evelina despertou num quarto espaçoso, com duas janelas deixando ver o céu.
Emergia de um sono profundo, pensou [...].” (Op. cit., p. 39.) Sim, era muito mais que um sono profundo... Passam os primeiros instantes.
Subitamente, sente-se como estivesse num agradável balneário. Ao derredor, pessoas simpáticas e amigas que ela, porém, não conhecia.
“Evelina interrogava-se, quanto ao melhor processo de estabelecer contato com alguém, quando viu um homem, não longe, que a fitava, evidentemente assombrado. Oh! não era aquele cavalheiro, exatamente Ernesto Fantini, o improvisado amigo das termas? 

O coração bateu-lhe agitado e estendeu, na direção dele, os dois braços, dando-lhe a certeza de que o aguardava, de alma aberta.
Fantini, pois era ele mesmo, ergueu-se da poltrona em que se guardava e avançou para ela, a passos rápidos.
– Evelina!... Dona Evelina!... Estarei realmente vendo a senhora?
– Eu mesma! – respondeu a moça, chorando de alegria.
O recém-chegado não foi estranho à emotividade daquele minuto inesquecível. Lágrimas lhe rolaram no rosto simpático e sisudo, lágrimas que ele buscava enxugar, embaraçado, procurando sorrir.” (Op. cit., p. 46.)

Trocam impressões sobre os novos momentos que estão vivendo após a cirurgia, e as situações estranhas que estão acontecendo.
Estariam “mortos”? Mas estavam vivos!
De início, julgam estar em hospital especializado para restabelecimento, mas os fatos vão se sobrepondo até descobrirem que a vida continua, mesmo depois da morte.
Duas almas afins se reencontram.
Após a morte, a vida continua... e o amor também, principalmente o amor, cujas raízes se prendem no solo do tempo distante.
Mesmo nesse plano espiritual passam por provas.Aprendem a trabalhar para o bem do semelhante sob a tutela e orientação do Irmão Cláudio e Instrutor Ribas.
Socorrem familiares em tramas de desequilíbrio e sofrimento.

Finalmente:

A casa festejava os dois obreiros que haviam sabido vencer com devotamento e humildade, os tropeços iniciais do levantamento de bem-aventurado futuro!...
Rodeado de assessores, Ribas saudou-os no limiar e, tomando-os nos braços, como a filhos queridos, ergueu os olhos para o Alto e rogou, comovidamente:
– Senhor Jesus, abençoa os teus servos que se consagram hoje um ao outro em sublime união!... [...] (Op. cit., p. 255.)
Breve E a Vida Continua... – O Filme estará em apresentação nos cinemas.


http://youtu.be/9hzioAm0Uas

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Paz


“Disse-lhes, pois, Jesus, outra vez: Paz seja convosco.” — (JOÃO, capítulo 20, versículo 21.)
Muita gente inquieta, examinando o intercâmbio entre os novos discípulos do Evangelho e os desencarnados, interroga, ansiosamente, pelas possibilidades da colaboração espiritual, junto às atividades humanas.
Por que razão os emissários do invisível não proporcionam descobertas sensacionais ao mundo?
Por que não revelam os processos de cura das moléstias que desafiam a Ciência?
Como não evitam o doloroso choque entre as nações?
Tais investigadores, distanciados das noções de justiça, não compreendem que seria terrível furtar ao homem os elementos de trabalho, resgate e elevação.
Aborrecem-se, comumente, com as reiteradas e afetuosas recomendações de paz das comunicações do Além-Túmulo, porque ainda não se harmonizaram com o Cristo.
Vejamos o Mestre com os discípulos, quando voltava a confortá-los, do plano espiritual. Não lhe observamos na palavra qualquer recado torturante, não estabelece a menor expressão de sensacionalismo, não se adianta em conceitos de revelação supernatural.
Jesus demonstra-lhes a sobrevivência e deseja-lhes paz.
Será isso insuficiente para a alma sincera que procura a integração com a vida mais alta? Não envolverá, em si, grande responsabilidade o fato de reconhecerdes a continuação da existência, além da morte, na certeza de que haverá exame dos compromissos individuais?
Trabalhar e sofrer constituem processos lógicos do aperfeiçoamento e da ascensão. E que atendamos a esses imperativos da Lei, com bastante paz, é o desejo amoroso e puro de Jesus-Cristo.
Esforcemo-nos por entender semelhantes verdades, pois existem numerosos aprendizes aguardando os grandes sinais, como os preguiçosos que respiram à sombra, à espera do fogo-fátuo do menor esforço.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Esperanto Anterior | Ideia de língua internacional


Affonso Soares
Diretor de Esperanto da FEB
Damos abaixo, em forma resumidíssima, o pensamento de Lázaro Luís Zamenhof, iniciador do esperanto, sobre o tema que lhe ocupou, praticamente, a vida inteira. Este texto ele o subscreveu sob o pseudônimo Unuel, o qual foi lido pelo Sr. Louis de Beaufront, um dos pioneiros do esperanto na França, por ocasião do Congresso da Association Française pour l’Avancement des Sciences, realizado em 1900 na
cidade de Paris.
Essência e futuro da ideia de língua internacional
A sorte invariável das ideias de real progresso é, de início, a desconfiança, a resistência, a hostilidade.
Entre elas se alinha a adoção de uma língua comum para as comunicações entre os povos, conquista ainda retardada em nosso tempo pelo espírito de rotina e pela inércia intelectual.
Para tratar de tão importante problema, Zamenhof analisou sistematicamente as seguintes questões:
É necessária uma língua internacional?
• Ela é possível, em princípio?
• Há esperança de que venha a ser introduzida na prática?
• Quando e de que modo isso ocorrerá e qual será a língua adotada?
• Nosso esforço tem finalidade definida, ou correremos o risco de que ele se perca?
A necessidade de uma língua internacional é patente aos olhos de todos, vindo a negativa da parte de alguns, que temem o desaparecimento das línguas nacionais, e da parte de outros, que supõem venha a ser adotada uma língua nacional.
Uma língua comum para as relações internacionais não destruirá as nacionais, antes contribuirá para o seu fortalecimento, porque, não sendo obrigado a aprender línguas estrangeiras para se comunicar, o homem aprofundará o conhecimento de sua língua materna.
O receio de que uma língua nacional se torne internacional é infundado, a Humanidade não a aceitaria por contrariar princípios de justiça e fraternidade, concedendo superioridade indesejável ao povo cujo idioma ganhasse tal status.
A adoção de uma língua internacional é, portanto, benéfica para o progresso geral. Toda a produção do espírito humano seria traduzida para essa única língua, na qual também muitas obras seriam escritas diretamente. Nos congressos internacionais não haveria quem deles não participasse efetivamente por desconhecer outros idiomas. Todos usariam o idioma comum.
A viabilidade de uma língua internacional é também evidente, pois que, sendo possível aprender vários idiomas, todos poderiam aprender um único e, assim, compreender-se reciprocamente.
Sabendo que, para se relacionar com o mundo, se deveria aprender apenas uma língua, em nenhum lugar faltariam escolas e mestres para o seu ensino, e os pais acostumariam seus filhos, desde a infância, ao seu uso.
A admissão desse instrumento de comunicação certamente virá um dia, como decorrência natural do fato de que, sendo útil e possível, ele será necessariamente escolhido, mais cedo ou mais tarde, pois assim o determinará o impulso humano, consciente e incessante, de sempre buscar o melhor.
O tempo em que surgiria essa língua internacional e o modo pelo qual isso se daria dependem muito da pergunta: qual será a língua internacional? Sem essa certeza, a questão se arrastaria longamente, pois todas as línguas concorreriam e, então, se dependeria dos governos que, com seus aparatos e ritos burocráticos, imprimiriam inevitável e considerável atraso em qualquer decisão.
Se é possível, porém, prever com clareza e precisão qual língua será adotada para as relações internacionais, então não se esperaria tanto, qualquer sociedade ou pessoa isolada poderia promover a sua difusão, o número de adeptos cresceria, sua literatura se enriqueceria, os congressos internacionais poderiam empregá-la e ela, dentro de pouco tempo, se tornaria tão forte que aos governos só restaria sancionar um fato consumado.
Já existe a certeza de qual língua será adotada para as relações internacionais. Não é difícil provar que só existe uma a ser escolhida, que qualquer outra escolha seria impossível, mesmo que o quisessem, pois se tornaria letra morta.
Se representantes dos povos se reunissem em congresso para decidir o assunto, teriam diante de si as seguintes alternativas:
Escolher uma das línguas vivas existentes;
• Escolher uma das línguas mortas;
• Escolher uma das línguas planejadas;
• Nomear uma comissão para criar uma língua inteiramente nova.
A escolha recairia fatalmente numa língua planejada, dita artificial, pois nem as línguas vivas, por suas particularidades – ortografia complicada, pronúncia irregular, complexidade gramatical, ausência de neutralidade, vinculação a interesses nacionais –, nem as mortas, por algumas razões semelhantes, poderiam competir com a mais perfeita forma de língua planejada existente: o esperanto.
Nele se reúnem as condições essenciais para o desempenho da função para a qual foi concebido.
Sua ortografia é regular e fonética; sua gramática, com apenas 16 regras sem exceções, é de fácil aprendizado; seu vocabulário é formado pelas raízes que compõem as grandes línguas modernas de cultura; sua neutralidade é incontestável, pois não serve a interesses nacionais, não está vinculado a grupos étnicos, religiosos, a correntes políticas ou filosóficas; seus ideais são os que concorrem para a aproximação dos povos, das culturas, por expressar plenamente as aspirações de uma Humanidade renovada pelos ideais de paz, justiça e fraternidade.
Zamenhof então conclui, com propriedade:
A adoção de uma língua internacional seria utilíssima para a Humanidade;
• Ela é absolutamente possível e ocorrerá, cedo ou tarde, por mais que os rotineiros lutem contra isso;
• Como língua internacional nunca será escolhida outra que não seja uma língua planejada;
• A escolhida será, sem qualquer sombra de dúvida, o esperanto, na sua forma atual ou com posteriores alterações.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Allan Kardec, o Pedagogo e o Codificador – Marta Antunes Moura – (Entrevista)


Marta Antunes Moura, coordenadora das Comissões Regionais na área da Mediunidade da Federação Espírita Brasileira (FEB), concedeu ao jornal Evangelho e Ação por ocasião do IV Congresso Espírita Mineiro a entrevista que se segue sobre o tema que abordou em sua conferência: Allan Kardec, o Pedagogo e o Codificador. A expositora falou-nos acerca do ilustre codificador de nossa Doutrina de modo elucidativo e comovedor. O professor Rivail não foi apenas um simples professor na Instituição em que trabalhava na cidade de Paris, pois seu intuito era interagir com seus alunos trazendo-lhes noções de bem viver. “Kardec se fundamentava na formação moral das pessoas”, – observou Marta. Ela ainda ressaltou que a metodologia pedagógica adotada por Kardec teve como base os postulados do professor Pestalozzi, apresentando-os de forma eloqüente.
Na FEB seu campo de ação se desenvolve em dois tipos de trabalho, um ligado à parte doutrinária – com a elaboração de apostilas e artigos – e outro de âmbito nacional focado na área mediúnica.
Desde 2003, vem desenvolvendo um trabalho voltado ao estudo do Evangelho. A FEB com esta proposta lançou as apostilas “Cristianismo e Espiritismo”, que trata da história da evolução religiosa da humanidade, e “Ensinos e Parábolas de Jesus” que tiveram a contribuição direta de Honório de Abreu e Haroldo Dutra Dias. São sessenta e quatro roteiros de estudo do Evangelho. Marta também escreve para a coluna “Em dia com o Espiritismo”, da revista O Reformador, na qual trata da atualidade científica fazendo uma correlação com o Espiritismo.
Jornal Evangelho e Ação (Jornal): O fato de Allan Kardec ter estudado com o grande pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi teria influenciado no método pelo qual ele codificou nossa doutrina? A senhora acredita que ele poderia ter tido alguma dificuldade caso não houvesse estudado com o sábio educador?
Marta Antunes Moura (Marta): Em relação à primeira pergunta diria que o método de Pestalozzi influenciou o aprendizado de Kardec, tanto como educador quanto como codificador. Esses ensinamentos foram a base da formação do codificador, do homem propriamente dito, do profissional da educação. Quanto à segunda pergunta, não acredito que Kardec teria dificuldades sem o auxílio e a proteção de Pestalozzi. É uma opinião particular. Acho que ele era um espírito preparado. Desde as Gálias, antes da formação da França, propriamente dita, ele foi um sacerdote druida, que lidava com o além túmulo. Acredito que não teria dificuldades, pois tinha uma formação moral e acadêmica, proveniente de várias existências. Muitos afirmam que teria sido João Huss. No campo da moral, da educação e do conhecimento era muito firme. Falava com simplicidade, como se fosse tudo muito fácil, mas é porque tinha conhecimentos acumulados. Se Kardec não houvesse estudado com Pestalozzi talvez não teria seu trabalho tão facilitado, teria que trabalhar mais. Acredito, que a presença de Pestalozzi em sua vida e a educação católica que recebeu com seus pais foram para lembrar aprendizados já adquiridos anteriormente e desenvolver sua intuição para que pudesse recordar da sua missão.
Jornal: Muitas pessoas dizem que a Doutrina Espírita é uma doutrina elitista, de difícil compreensão para pessoas menos instruídas. A senhora concorda com esta afirmação? Por que?
Marta: Não. E nem deveria existir este pensamento, porque se a Doutrina Espírita é o Cristianismo Redivivo temos que levá-la para todas as pessoas. Justamente por não conhecer o método utilizado por Kardec é que muitos afirmam isso. A questão não é a Doutrina e sim o método que é utilizado para levar a outras pessoas o conhecimento do Espiritismo. Se basearmos apenas no método mecânico e acadêmico fica difícil para quem tem pouco estudo entender. Agora, se usarmos o método natural, aquele proposto por Kardec e Pestalozzi, que é o mesmo utilizado por Jesus, fica muito fácil. Na atualidade, muitas pessoas transmitem a Doutrina Espírita adotando uma postura intelectualizada, não considerando o ouvinte que é o objeto do aprendizado, não se inteirando do método educativo, utilizado por Kardec.
Jornal: Quais são os métodos pedagógicos utilizados por Kardec na codificação da Doutrina Espírita?
Marta: Ele teve como fundamentação o método pestalozziano que é de grande valor humanista. Kardec não considerava os alunos como pessoas distantes, mas como pessoas muito próximas, chamava os alunos de “meus amigos”. Naquela época, a relação entre o professor e os alunos era baseada no ensino dos jesuítas. O professor tinha que ser impassível, não podia demonstrar emoção, tinha que se revelar uma criatura perfeita. Com Pestalozzi, Kardec adequou o método racional, sistemático, das ciências positivas ao conhecimento moral que deveria ser transmitido, desenvolvendo a relação de amizade com seus alunos, tornando mais fácil o aprendizado. Ele ficou atento ao conhecimento porque este leva a formação profissional, mas não ignorou o valor da formação do caráter, porque a educação é a arte de formar caracteres, conforme se lê em O Livro dos Espíritos. Esta educação moral vem de onde? Vem do Evangelho de Jesus. Apesar de Pestalozzi conhecer a Bíblia e ensiná-la, quem fez o casamento entre o método pestalozziano e o Evangelho foi Kardec. Isso ele fez como somente os mestres sabem fazer.
Jornal: Alguns estudiosos da vida de Kardec afirmam que os espíritas costumam identificá-lo como um homem racional, centrado, destemido, esquecendo de ver o lado amoroso e humano do Codificador. A senhora acha que procede esta informação? Poderia contar-nos algum fato de sua vida que comprove este lado amoroso do mestre lionês?
Marta: Kardec utilizou-se do método racional e de estatísticas porque durante o trabalho da Codificação recebeu informações do mundo inteiro, provenientes de diversos médiuns e de diversos grupos espíritas. Analisou cada pergunta e resposta, aceitando as respostas mais reincidentes. Por outro lado aliava a formação humanista àqueles métodos porque ele media as conseqüências, sobretudo da interação de ensinar dos espíritos. Dessa forma, não podemos considerar um fato isolado, por melhor que seja o cientista, quem assina a mensagem como fenômeno universal. Um fato ou informação isolados não representa uma verdade científica, filosófica ou religiosa universais. As pessoas absorvem a parte racional, ignorando o conteúdo moral e a metodologia afetiva e comportamental proposta. É fácil esquecer que o Codificador apresentava certas características que estão relatadas na Revista Espírita, como a de chamar carinhosamente a esposa de Gabi, pedir desculpas, ter a coragem moral de afirmar e de voltar atrás na interpretação, ajudar os amigos dando-lhes apoio material e moral. Em geral, não observamos esse outro lado. Nos detemos mais na racionalidade, quando na verdade ele foi um exemplo de dignidade, de respeito e de carinho. Sua maneira de ser sugere um temperamento calado e discreto, no entanto, há indicações que na intimidade era uma pessoa agradável, simpática, afável e dócil. No seu comportamento, conforme está registrado em Obras Póstumas, podemos ainda citar algo notável: durante o trabalho da Codificação, por inúmeras vezes, Kardec aceitou correções, tinha a humildade em admitir que precisava voltar atrás, a despeito de todo conhecimento que possuía, com toda autoridade que representava no seio da sociedade francesa, uma sociedade bastante culta e exigente como ainda o é.
Jornal: Na atualidade o Movimento da Pedagogia Espírita tem adquirido um grande destaque junto aos educadores e evangelizadores no Movimento Espírita. Como a senhora analisa isto?
Marta: Analiso como positivo desde que seja uma pedagogia verdadeiramente espírita, que atente não só pelo conteúdo da doutrina, mas às suas conseqüências na formação do caráter das pessoas. Engessar a educação e a pedagogia com mais um método, com mais uma técnica não é o caminho. O grande desafio é reunir toda esta orientação que foi transmitida pelo Codificador e pensar no resultado, na transformação moral e intelectual das pessoas, seguindo o exemplo de Jesus.
Jornal: Qual é a mensagem que a senhora deixa para os leitores do nosso jornal Evangelho e Ação?
Marta: A mensagem é muito simples. É a mensagem de que seremos conhecidos, como nos diz o Cristo, por muito nos amarmos.
Aproveitamos a oportunidade a fim de agradecer a Marta Antunes Moura pelo seu carinho e atenção a nós dispensados, rogando ao Divino e Amado Mestre Jesus que possa continuar abençoando e fortalecendo os seus melhores propósitos de servir.
Paz e Alegria aos nossos corações!
Wellerson Santos